quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

OCIDENTE, ÁFRICA E A DEMOCRACIA

Na onda do que se entende no ocidente por democracia, continuam; a europa, os USA, e outros anglófonos e francófonos, a querer impor noutras latitudes o mesmo tipo de regime para, usando a força dos lóbis e da corrupção, levarem os seus negócios avante.

Vê-se o que aconteceu com a “primavera árabe”. Os ocidentais, com o argumento de que os ditadores no poder tinham que cair, ajudaram ao derrube dos regimes da Tunísia, Líbia, Egito e Síria, tal como já tinham feito com o Iraque.

O que ficou?

A Tunísia recuperou, mas continua instável.

A Líbia, sem Kadafy perseguido e assassinado pelos pseudo-libertadores, está transformada numa zona de tribos armadas e salteadores, sem qualquer controle estatal e o país está destruído.

No Egito, o exército acordou a tempo. Outros ditadores, chegados ao poder pelo voto promovido pela “primavera ocidental”, estavam a transformar o país numa ditadura religiosa.

A Síria, país, antes próspero, recebendo muitos milhões de turistas por ano, onde todas as religiões existiam em liberdade, ainda não é o califado e Estado Islâmico porque o antigo regime se defendeu contra tudo e todos. O preço é elevado, mas, como tudo leva a crer, está a salvo do domínio do Estado Islâmico.

Sem terem noção das diferenças do desenvolvimento das diversas regiões do globo, continuam, os ocidentais, a quererem mandar onde antes o fizeram pela colonização. A organização política que serve para a europa, a democracia que conhecemos, pode não servir exatamente da mesma maneira para África.

Neste sentido e pelas mesmas razões, choca-me ouvir referências altamente pejorativas, a países que antes foram colónias portuguesas e com quem temos relações privilegiadas, sem que, para além dos regimes vigentes há anos, simpáticos ou não, não tenha acontecido mais nada a registar.

Os portugueses já não mandam em Angola. 

O que se passa em Angola só aos angolanos diz respeito. Angola é um país africano e é à luz desse facto, que deve ser considerada qualquer análise séria sobre o seu regime político.   

Para mim, não é admissível que na nossa Casa da Democracia, a partir da tribuna, seja dito sobre Angola o que se disse ontem. Que o façam noutras tribunas, em manifestações, nas televisões, nos jornais, mas no mais importante Órgão do Estado Português, a Assembleia da República; não!

As últimas eleições em Angola, validadas pela Comunidade Internacional, foram em 2012 e as próximas, estão previstas para 2017.

Silvestre Félix
15.12.2016
Etiqueta: Angola, Assembleia da República
Foto: Assembleia Nacional de Angola (Wikipédia)

Sem comentários: